Projeto de Lei Ordinária nº 37 de 15 de Abril de 2026
Senhor Presidente
Senhores Vereadores
Subo hoje a esta tribuna para tratar de um tema que não pode mais ser ignorado pelo Poder Público: a realidade das pessoas com Transtorno do Espectro Autista após os 18 anos de idade.
Muito se fala - e com razão - sobre o atendimento às crianças e adolescentes com autismo. Mas eu pergunto a esta Casa e à sociedade: o que acontece com essas pessoas quando se tornam adultas ou com aquelas que não foram diagnosticadas antes da fase adulta?
A resposta, infelizmente, é dura: elas desaparecem das políticas públicas.
Em São Vicente, assim como em todo o Brasil, famílias enfrentam diariamente o abandono institucional. Jovens que completam 18 anos deixam de ter acompanhamento adequado, perdem acesso a terapias, ficam fora do mercado de trabalho e passam a viver à margem da sociedade.
Destaca-se, ainda, a crescente realidade de adultos que somente descobrem estar dentro do espectro autista após o diagnóstico de seus próprios filhos, evidenciando a ausência histórica de políticas públicas voltadas ao diagnóstico tardio. Tal lacuna gera sofrimento, exclusão social e dificuldades no acesso a direitos básicos, o que toma imprescindível a atuação do Município para garantir identificação, acolhimento e acompanhamento adequado dessa população.
E não estamos falando de números frios. Estamos falando de pessoas, de famílias, de cidadãos vicentinos que precisam do Poder Público.
A Lei Federal nº 12.764/2012 reconhece o autista como pessoa com deficiência. Todavia, reconhecer não basta - é preciso agir.
Este Projeto de Lei vem exatamente para preencher essa lacuna histórica, criando uma política pública permanente para garantir:
1) atendimento digno e contínuo;
2) inclusão no mercado de trabalho;
3) apoio às famílias que hoje estão sobrecarregadas;
4) oportunidades reais de autonomia.
Não podemos mais aceitar que mães e pais carreguem sozinhos essa responsabilidade. Não podemos fechar os olhos para uma população que precisa – e merece – atenção.
Este projeto não é apenas uma proposta legislativa. É um compromisso com a dignidade humana. É dizer que São Vicente não abandona seus cidadãos e que esta Câmara Municipal está atenta às necessidades reais da população. Porque governar é cuidar. E cuidar também é incluir.
Por isso, peço o apoio dos nobres vereadores para aprovação desta matéria.